Bússola dos Tempos・266

Bússola dos Tempos・266

Converter as preocupações em força

Keiko Takahashi


Quando as preocupações surgem

Um mês já se passou desde o início do novo ano letivo e fiscal. Como vocês têm estado?

À medida que vão se adaptando ao novo ambiente de trabalho ou à nova escola, talvez alguns também estejam começando a perceber os desafios e questões presentes nesse novo contexto, perguntando-se como deveriam enfrentá-los.

É também característico desta época o surgimento de sintomas conhecidos como gogatsu-byō (o “mal de maio”): indisposições físicas e emocionais como “falta de motivação”, “dificuldade para dormir” e “sensação de cansaço no corpo”, em que calouros universitários, recém-libertos da pressão dos vestibulares, e novos funcionários que acabaram de mergulhar em um ambiente diferente, tendem a apresentar após a semana de feriados do Golden Week.

Naturalmente, não se trata apenas do “mal de maio”: nos ambientes em que nos dedicamos aos estudos ou ao trabalho, os problemas estão sempre presentes. Sofremos com relações interpessoais, ficamos perplexos diante de imprevistos (situações inesperadas) e nos esforçamos para lidar com novos desafios…

Seja qual for o ambiente, é praticamente improvável que não haja problema algum. E, naturalmente, nós mesmos, seres em desenvolvimento, também carregamos sempre questões a resolver. Em outras palavras, somos seres que não conseguem se ver livres das preocupações.

Pode-se dizer que este é o mundo real: um lugar em que, no curso da vida cotidiana, nos deparamos inevitavelmente com problemas e obstáculos de toda ordem, carregando sempre alguma preocupação. Nossa vida é, em certo sentido, o próprio transcurso do tempo vivido no enfrentamento incessante das nossas preocupações.

As preocupações não existem apenas para serem evitadas

A postura mais comum das pessoas diante das preocupações é, em geral, a seguinte: “se possível, seria melhor não tê-las; e, caso existam, quanto mais rapidamente forem resolvidas, melhor.” Trata-se de um sentimento e de uma atitude comuns a qualquer pessoa.

Em outras palavras, as preocupações que carregamos são um fardo incômodo, e, se possível, gostaríamos de resolvê-las imediatamente e afastá-las da nossa frente.

Isso pode ser dito independentemente do país ou do contexto cultural.

De fato, quando temos preocupações, sofremos. Elas trazem consigo dúvidas e conflitos de toda ordem, geram grande estresse, e despertam inseguranças e medos, ameaçando-nos.

Por isso, é natural que as preocupações sejam vistas como algo doloroso, prejudicial e sem valor. Em alguns casos, não é raro que o fato de carregar preocupações seja até interpretado como sinal de fraqueza.

No entanto, o Estudo da Alma1 nos oferece uma perspectiva que se distingue claramente dessa visão. O Estudo da Alma diz que as diversas preocupações que carregamos não são algo que deva simplesmente ser evitado.

Porque as preocupações nos conduzem a uma forma de viver diferente daquela que conhecíamos até então, a uma nova dimensão. Ter preocupações, portanto, jamais deve ser motivo de vergonha.

É justamente porque estamos sofrendo e enfrentando preocupações que podemos deixar de permanecer presos às formas de agir e de viver de até então, e experimentar novas maneiras de agir e de viver ──. Nós somos capazes de transformar as preocupações em força.

O Livro das Preocupações — A prova de que você está vivendo de verdade

A nova obra, O Livro das Preocupações — A prova de que você está vivendo de verdade, que será publicado no final de maio, foi concebido justamente a partir do desejo de trazer à luz a verdadeira natureza das preocupações, tendo como fundamento essa perspectiva do Estudo da Alma.

Esta obra não é um simples manual de resolução de problemas. Tampouco é um livro que propõe métodos para eliminar os problemas diante de nós ou que prega uma forma de viver livre delas.

Reitero: as preocupações realmente nos fazem sofrer. Você também, certamente, já despendeu uma enorme quantidade de energia por causa delas e atravessou inúmeros conflitos ao longo da vida. Como resultado, é provável que tenha passado dias de profundo cansaço e esgotamento. É inegável que as preocupações nos consomem e nos fazem sentir cansados da vida.

Mas, ao mesmo tempo, as preocupações nada mais são do que o prenúncio de novos dias. Em meio às próprias preocupações, somos capazes de perceber o nosso genuíno sentimento2 de nós mesmos que até então não havíamos percebido. É nesse momento que podemos tomar consciência de questões que, embora ainda não reconhecêssemos com clareza, precisávamos de fato enfrentar.

Notas do editor:

1. Estudo da Alma

O Estudo da Alma trata de uma sistemática de teoria e prática para que o homem possa buscar um modo de viver que une as dimensões visível e invisível. Em contraste com o “estudo dos fenômenos” representado pela ciência que se ocupa com a dimensão tangível, o “Estudo da Alma” abrange a dimensão material bem como uma dimensão que vai além, a dimensão da mente e da alma, de uma forma mais abrangente. Trata-se de um princípio que constatei a partir da minha própria análise em relação aos seres humanos e das observações das trajetórias de vida dos inúmeros indivíduos com quem interagi. Compreende o ser humano através de uma perspectiva total da alma, da mente e da realidade a fim de corresponder a quaisquer tipos de situação. (Extraído do livro Como Fazer Da Sua Vida A Melhor, original em japonês, p.50).

2. Genuíno sentimento

O “genuíno sentimento” nada mais é do que uma aspiração, um sentimento enraizado no interior das nossas mentes, na dimensão da alma. O “genuíno sentimento” é dotado da “verdade” que transcende a “inverdade” do “discurso de fachada” e é dotado do “bem” que supera o “mal” das “reais intenções”. E todos que interagem com ele, sentem o “belo”, a beleza que depura nossas mentes. O que realmente precisamos conhecer é o “genuíno sentimento” por trás do antagonismo entre “discurso de fachada” e “reais intenções”. (Extraído do livro As Duas Portas, p.56).