Bússola dos Tempos・265
Bússola dos Tempos・265
Continuar em movimento
Keiko Takahashi
A prova de que o ser humano é humano
Abril marca o início de um novo período letivo, de um novo ano fiscal. Que expectativas e aspirações cada um carrega consigo neste começo?
Ao iniciar este novo ciclo, desejo que você faça deste ano um ano pleno de ação.
Pois sinto que, para nós, isso é absolutamente necessário neste momento.
O ser humano é capaz de, pela imaginação, pensar e se preocupar com aquilo que ainda não se materializou diante de seus olhos.
Os demais animais, por sua vez, são seres do “presente”: respondem instintivamente ao que acontece diante deles no presente, movidos pela necessidade de preservar a própria vida.
O ser humano também é capaz de responder ao que acontece no presente, aos estímulos do mundo exterior.
Mas não apenas isso. Vivendo no “presente”, é capaz de imaginar o “passado” e o “futuro”. Pode revisitar memórias repetidamente e se arrepender; pode vislumbrar um futuro ainda desconhecido e se preocupar com ele.
Em outras palavras, o ser humano é capaz de viver também dentro de seu próprio mundo interior, apenas na mente…
Isso poderia ser considerado “a prova de que o ser humano é humano”.
No entanto, neste mês que marca o início do ano letivo e fiscal, sem abrir mão dessa evidência que nos define, gostaria de propor que direcionássemos o eixo de nossa forma de viver mais para a ação.
Não apenas parar para pensar e imaginar, mas fazer deste um ano em que tomamos a iniciativa de nos colocar em movimento.
A alma vem ao mundo em busca de experiências
Porque há coisas que só se compreendem quando nos pomos em movimento.
Quando pensamos, somos capazes de imaginar um estado ideal.
Ao elaborar um plano, tudo flui perfeitamente na imaginação, cada etapa se cumpre conforme previsto, tudo funciona, se encaixa, e se concretiza.
Mas o que acontece na realidade?
O mundo real está repleto de fatores que desviam os planos do seu curso em todos os momentos.
Descobrimos que nossa influência é muito menor do que imaginávamos, e que transformar o mundo não é tão simples. As coisas não avançam conforme o cronograma, perdemos oportunidades, e percebemos que não é possível estar em dois lugares ao mesmo tempo, é sempre preciso escolher entre um e outro.
Ao agir não na imaginação, mas na realidade concreta, a dureza da relação entre nós e o mundo torna-se evidente, e os limites do tempo e do espaço se tornam palpáveis.
E é justamente isso que importa.
Quando saimos da dimensão imaginária, nos confrontamos com a realidade e respondemos a ela mobilizando nossa sensação, emoção, pensamento e vontade, e a memória de ter respondido mobilizando tudo de si se grava na alma1. É isso que se pode chamar de “experiência da alma”.
Independentemente de termos realizado ou não o que se desejava, cada passo dado mobiliza o ser inteiro: alma, mente e corpo.
É em busca dessa “experiência” que nossa alma nasce neste mundo e inicia a jornada da vida. Porque são justamente essas “experiências” que, no sentido mais verdadeiro, fazem a alma crescer.
O importa é que, se não nos colocarmos em movimento, sem atravessar a dimensão imaginária e agir no mundo real, a “experiência” não nasce.
Continuar em movimento
É precisamente por isso que, neste início de novo ano fiscal, de novo período letivo, gostaria de convidá-lo a se voltar para “continuar em movimento”, para agir.
Claro que pensar com profundidade, refletir e conceber ideias também é essencial. Cultivar o hábito de pensar profundamente, em silêncio, é algo que também devemos valorizar.
Mas, desta vez, que tal inclinar a mente ainda mais para o agir, para o “continuar em movimento”?
Nesse momento, nos aproximamos do mundo real.
E nos tornamos preparados para acolher aquilo que a relação entre nós e o mundo está tentando nos dizer.
Notas do editor:
1. Alma (energia da vontade dotada de sabedoria)
A alma, em poucas palavras, é o centro que faz do ser humano verdadeiramente humano, a sua essência. É também a fonte de energia que abriga tanto a luz quanto as trevas. Tenho chamado essa alma de “energia da vontade dotada de sabedoria”. Trata-se de uma existência que continua viva mesmo após a morte do corpo físico e que, ao longo do tempo, vivenciou inúmeras experiências de vida, sendo o verdadeiro sujeito dessas jornadas.
(Extraído do livro Reconquistando a Vida, original em japonês, p.23-24)