Bússola dos Tempos・264

Bússola dos Tempos・264

Discernir

Keiko Takahashi


Reflexões em tempos de turbulência

A “era do impensável”, em que realidades que ninguém poderia antecipar continuam a ocorrer.

Por exemplo, a recente eleição para a Câmara dos Deputados pode ter apresentado um resultado que surpreendeu muitas pessoas.

A vitória esmagadora do Partido Liberal Democrata, que superou amplamente as previsões predominantes, pode ser entendida menos como um triunfo do partido e mais como um maciço voto de confiança no gabinete de Takaichi. 

Entre os fatores apontados para o surgimento desse cenário, destaca-se a grande influência das redes sociais (SNS). Embora o espaço da internet seja alvo de críticas pela abundância de informações falsas ou manipuladas, não será essa a realidade dos fatos: mesmo convivendo com tais problemas, os cidadãos, a partir de suas respectivas posições, souberam discernir o conjunto heterogêneo de conteúdos, verdadeiros e falsos, misturados, e exerceram, por si mesmos, a escolha que lhes cabia.

Por outro lado, muitos já não compartilham a percepção de que os grandes meios de comunicação mantenham uma postura verdadeiramente imparcial e apartidária. Persistem críticas quanto à prática da chamada “liberdade de não noticiar”, apontando uma longa história de cobertura enviesada.

Seja como for, o que parece certo é que a era em que apenas os grandes meios de comunicação detinham a provisão de informações, de forma exclusiva, chegou ao fim.

Trata-se de uma transformação social muito maior do que supomos, e esses movimentos tectônicos continuam, ainda hoje, a se desdobrar e a se ampliar por toda parte.

Agir prontamente, não reagir por reflexo

Em um mundo que se transforma vertiginosamente, há uma atitude indispensável para que possamos caminhar sem perder de vista a essência das coisas. Uma delas é reconhecer o momento certo.

Os acontecimentos estão em constante processo de geração e transformação, atravessados por diversos fluxos e movimentos. Ainda que, no papel, se projete um curso ideal, na prática surgem imprevistos e ruídos de toda ordem, e as coisas raramente avançam conforme o planejado.

Além disso, nas situações que enfrentamos, existem pontos de inflexão em que o rumo dos acontecimentos pode se bifurcar em direções distintas. Tais pontos não estão sempre disponíveis; são possibilidades depositadas em um único instante no curso do tempo.

Se desejamos que ocorra transformação da luz1 na situação e alcance sua plena realização, não podemos deixar passar esse ponto decisivo. Se o perdermos, sofreremos perdas maiores do que imaginamos, e a realidade tomará um rumo completamente distinto. Devemos agir sem deixar escapar esse instante, responder àquilo que precisa ser respondido. É isso o que chamamos de momento certo.

Se não agirmos imediatamente “aqui e agora”, será difícil captar o momento oportuno.

E, para agir sem deixar escapar esse momento, é preciso manter-se sempre preparado. Agir de imediato, mover-se sem hesitação. É esse o modo de viver que se faz necessário.

Contudo, há momentos em que se exige uma postura inteiramente oposta.

Trata-se de não agir de imediato, de não reagir por reflexo.

Nossas ações são, em parte, regidas pelos hábitos que fomos construindo ao longo do tempo. Reagimos e agimos sem nos darmos conta. Assim como desviamos o corpo ao perceber um perigo, ao sentir que algo “não está bem”, tendemos a agir de imediato…

Contudo, essas ações frequentemente não são fruto de uma reflexão cuidadosa, nem de um discernimento capaz de enxergar os desdobramentos futuros da situação.

Sem reagir com excesso, mantendo um coração inabalável, acompanhar atentamente o desenrolar dos acontecimentos e discernir o rumo a seguir… Acima de tudo, é essencial acolher o Princípio Divino que sustenta aquele momento e lugar.

Discernir entre o “movimento” e a “quietude”

Em síntese, é saber distinguir com precisão entre o “movimento” e a “quietude”.

É necessária a capacidade de discernir, para além das palavras, se agora é o momento de agir ou o momento de deter-se.

Quando sabemos conduzir o momento oportuno e viver o “movimento”, e quando, ao perceber o Princípio Divino imutável, viver a “quietude”, tornamo-nos capazes de responder ao chamado de uma era em constante transformação.

Notas do editor:

1.  Transformação da Luz / Transformação das Trevas

Transformação da Luz significa transformar a realidade para uma que seja repleta de luz, de alegria, harmonia, atividade e criação. Transformação das Trevas significa transformar para uma realidade de sombras tais como dor, confusão, estagnação e destruição.
(Extraído e sintetizado das páginas 156-158 do livro “A Era em que 100 milhões de pessoas vivem o seu melhor”, versão em japonês)