Bússola dos Tempos・268

Bússola dos Tempos・268

Procurar a própria aspiração

Keiko Takahashi


O que nos faz vibrar — mais importante do que o descanso

O ano de 2026 já entrou em sua segunda metade.

Será que os primeiros seis meses foram, para você, um período verdadeiramente pleno? Agora que ingressamos na segunda metade do ano, gostaria de refletir, neste mês de julho, sobre o que significa viver uma vida plena.

Ninguém negaria que o cérebro é o órgão que desempenha o papel mais central nas atividades humanas.

Considera-se que ele seja responsável por sete funções: (1) manutenção da vida; (2) percepção e reconhecimento; (3) controle dos movimentos; (4) memória e aprendizagem; (5) geração das emoções; (6) pensamento e julgamento; e (7) criação.

Essas funções abrangem todos os aspectos da vida humana. Em outras palavras, o funcionamento do cérebro é indispensável para que o ser humano possa viver.

Todos os dias, a cada instante, o cérebro continua trabalhando sem descanso, abrangendo um campo de atuação bem amplo… É por isso que se diz que “o cérebro precisa de um descanso adequado”.

Acredita-se que esse descanso seja proporcionado pelo sono profundo.

No entanto, para que o cérebro atue com vitalidade, o descanso, por si só, não basta. Diz-se que, mais importante do que ele, é justamente um certo tipo de estímulo.

Aquilo que nos faz vibrar, que cativa o nosso coração… Esses estímulos são, para a vitalidade do cérebro, ainda mais essenciais do que o descanso.

Basta refletirmos um pouco para perceber que os sentimentos que nos fazem vibrar, aceleram o coração e despertam nosso interesse, as chamadas experiências emocionalmente marcantes, despertam nossa motivação e nos trazem esperança em relação ao futuro. Ao estimular a liberação da dopamina, substância associada à sensação de prazer, o cérebro é ativado e produz efeitos positivos sobre todo o organismo.

Assim como os músculos se fortalecem quando são exercitados, ampliar nossos interesses por meio daquilo que nos faz vibrar e concentrar-nos em novas informações e aprendizados também contribui para o fortalecimento do cérebro. Em contrapartida, quando deixamos de usar o cérebro, suas funções enfraquecem, da mesma forma que os músculos se atrofiam quando deixam de ser usados.

Ativar o sensor que identifica a aspiração e o Projeto Ideal

Isso não se aplica apenas ao cérebro como órgão. Também em nossa vida, aquilo que nos faz vibrar, aquilo que nos atrai profundamente, nos comove e nos envolve por completo, possui um significado especial.

Naquilo que nos faz vibrar, que faz o coração palpitar e nos atrai, há algo de precioso.

Ali talvez esteja oculta a aspiração que somos chamados a buscar por toda a vida. Talvez esteja latente o Projeto Ideal1 que devemos concretizar no futuro. Ou ainda, nos momentos de grandes decisões que marcam etapas importantes da vida, isso pode nos indicar o caminho que devemos escolher.

Isso ocorre porque todos nós trazemos em nosso interior algo que poderíamos chamar de “sensor da alma”.

Desde o princípio, no mais profundo de nosso ser, possuímos a capacidade de descobrir aquilo que verdadeiramente buscamos, aquilo que a vida procura realizar e as experiências que ela nos convida a viver.

É claro que, mesmo quando algo nos faz vibrar, acelera o coração ou desperta nosso interesse, isso pode não passar de uma reação aos desejos e à cobiça da consciência superficial. Também pode acontecer de estarmos simplesmente fascinados pelas tendências e modas em evidência na sociedade.

No entanto, mesmo em meio a esse entusiasmo e essa excitação ainda envoltas em confusão, podemos extrair aquilo que nos aproxima da verdadeira aspiração da alma, do Projeto Ideal da vida e do propósito e da missão da vida. Podemos captar aquilo que, no nosso âmago, desperta nossa empatia e nos comove.

Gostaria que você seguisse em frente, confiando que, em cada um de nós, permanece viva a capacidade de nos aproximarmos daquilo que verdadeiramente aspiramos e do Projeto Ideal que nos cabe realizar.

Esse sensor torna-se cada vez mais preciso à medida que o colocamos em funcionamento conscientemente. Por isso, gostaria que, todos os dias, você se perguntasse se esse sensor interno está funcionando como deveria.

Acolher a sensação daquilo que nos faz vibrar certamente conduzirá a uma vida mais plena… Gostaria que acreditasse nisso e seguisse vivendo cada dia com essa convicção.

Notas do editor:

1. Projeto Ideal (aojashin)

O termo japonês aojashin refere-se, originalmente, a plantas de edificações, máquinas etc. A partir daí aojashin passou a se referir a projetos de toda natureza e projeto para o futuro. Seria a realidade que buscamos realizar e aspiramos alcançar. No Estudo da Alma, o termo inclui também o significado de Ideia (forma ideal) oculta em todas as coisas, e da promessa feita com a Grande Existência, Deus. (Extraído do livro A Trajetória Áurea, p.111-112, versão em português)