Bússola dos Tempos・263
Bússola dos Tempos・263
Lançar-se a novas experiências
Keiko Takahashi
Um ano que não seja igual aos outros
Todos os anos, os meses de janeiro e fevereiro correspondem ao período mais frio do ano. Em meio ao frio rigoroso, como vocês têm passado o início de um novo ano?
“Este ano, quero seguir um caminho diferente.”
Certamente não são poucos os que assim desejam.
No entanto, por mais que se deseje isso, começar efetivamente um novo modo de viver não é algo que se realize simplesmente por se pensar assim.
Ainda que estabeleçamos novos propósitos, ao nos darmos conta, seguimos vivendo como sempre… Não são poucos os que afirmam que “essa é a realidade”.
Superar o padrão do hábito = da economia de esforço
Isso acontece porque, em nosso modo de viver, atua aquilo que chamamos de “força de inércia”. A inércia é a propriedade pela qual um corpo em movimento tende a continuar no mesmo movimento, desde que não receba uma força externa. Ampliando esse conceito, quando as coisas, ou o modo de viver, seguem sempre o mesmo curso, podemos compreender que ali está em ação uma força de inércia.
Grande parte da força de inércia que carregamos é sustentada pelos hábitos. Nosso modo de viver é, em certo sentido, um aglomerado de hábitos. Caminhar, correr, escovar os dentes, lavar o rosto, comer usando hashis, tudo isso se realiza por meio do hábito.
E não apenas isso. Até mesmo o funcionamento da mente que se produz a cada instante: sentir, perceber, pensar e agir, não pode ser desvinculado do hábito de repetir as mesmas coisas sempre da mesma maneira.
Aquilo que chamei de “possessão” em meu livro A Força da Mente é também um dos elementos que geram os hábitos mais profundamente enraizados.
A “possessão” chega a distorcer a própria forma como percebemos as coisas. Ela nos impede de vê-las como são; desvia nossa percepção em determinada direção e nos leva a apreendê-las de maneira parcial. Quando esse mecanismo é acionado, passamos inevitavelmente a perceber as coisas segundo esse viés, ficando dominados por percepções habituais.
Há ainda outro ponto a considerar: nosso cérebro é extremamente empenhado na economia de esforço e tende a transformar em hábito tudo aquilo que pode ser automatizado.
Isso acontece, naturalmente, para que possamos dedicar energia àquilo que realmente exige novas respostas, novos julgamentos e criação. Isso é essencial. Se tivéssemos que reaprender do zero, a cada vez, ações como andar, escovar os dentes ou nos vestir, gastaríamos uma enorme quantidade de tempo e energia apenas para realizar tarefas cotidianas.
Por outro lado, quando algo se transforma em hábito, torna-se, de fato, difícil voltar a lidar com isso de modo consciente. O hábito implica na perda da atenção consciente, pois faz com que o modo como vivemos, bem como nossas decisões e ações, deixe de ser objeto de atenção consciente.
Se quisermos viver o novo ano como um ano diferente dos anteriores, precisamos superar o padrão do hábito e da economia de esforço.
Seguir em novos desafios e tentativas
Para que o novo ano seja verdadeiramente diferente, precisamos transformá-lo em um ano de desafios e tentativas que vão além da força da inércia. Que vocês se disponham a enfrentar aquilo que nunca fizeram antes e a experimentar, de forma consciente, modos de agir e de viver que jamais tentaram.
Relacionar-se de forma um pouco mais ativa com as pessoas que encontramos no dia a dia pode ser um dos caminhos para isso. Cumprimentar, por iniciativa própria, as pessoas do trabalho todas as manhãs e ao fim do dia, dirigindo-lhes a palavra nos momentos oportunos. O mesmo vale para a família. Se até agora não havia cumprimentos nem conversas, vale a pena fazer o esforço de falar, de puxar conversa e buscar uma troca afetiva. Colocar o foco na ação é também um dos caminhos. Aquilo que até agora deixávamos de fazer por pensar “dá trabalho”, experimentar agora colocá-lo efetivamente em prática. Tentar transformar o Wisdom com o qual temos trabalhado até agora em um Wisdom com programas de ação mais concretos…
Não para fazer isso uma única vez e encerrar, mas para tornar este ano inteiro um tempo preenchido por novos desafios e novas tentativas.