Bússola dos Tempos・261

Bússola dos Tempos・261

Dar o máximo de si

Keiko Takahashi


Encerrando o ano

Chegamos no mês de dezembro, o último de 2025. Como vocês estão passando o tempo, em meio ao ritmo acelerado típico desta época de fim de ano? 

Justamente por ser dezembro, o momento de encerrar o ano, gostaria que este fosse um tempo para refletir sobre a jornada percorrida até aqui. 

Por exemplo, como foi o ano para você? Quais encontros e acontecimentos ficaram marcados em seu coração?

Provavelmente houve situações que se desenrolaram exatamente como você havia imaginado.

Alguns de vocês podem ter experimentado situações em que tudo correu bem quando sentiram que estavam sendo sustentados por uma “força maior”.

Por outro lado, pode haver quem tenha passado por períodos de adversidade, em que nada do que faziam dava certo, a ponto de sentirem que o céu os havia abandonado.

Ao longo deste ano, todos nós provavelmente vivenciamos sucessos e fracassos, boa sorte e provações, tempos favoráveis e desfavoráveis, luz e sombras.

A vida é, de fato, uma constante alternância e cruzamento de momentos bons e ruins, luz e sombras. E é justamente dentro dessa realidade instável, de altos e baixos, de oscilações entre o bem e o mal, a luz e as trevas, que reside algo importante na vida: discernir o que realmente importa e, a partir disso, forjar uma realidade melhor.

Que eventos positivos e negativos aconteceram em sua vida este ano, e como você os recebeu e lidou com eles?

“Como refletimos” é o que conduz a um novo fluxo

No nosso espaço de aprendizado, damos grande importância ao caminho que conecta aspirações e objetivos em realidade por meio do exercício que chamamos “Ciclo da Concretização”3: Sabedoria Precedente1 → Execução → Sabedoria Subsequente2.

Se considerarmos o ciclo de um ano, realizamos a Sabedoria Precedente no início do ano, projetando as aspirações do novo ano, e em dezembro, quando o ciclo se encerra, reservamos um tempo à Sabedoria Subsequente, a fim de refletir sobre o caminho percorrido.

Como foi este ano para mim? Como me relacionei com aquele encontro, aquele acontecimento? Consegui ouvir o chamado que estava presente ali? Fui capaz de acolher essa voz e dar um novo passo? Ao olhar para trás agora, existe algo que ficou por resolver? Será que há algo que preciso reavaliar…?

Refletir sobre a jornada passada e os ciclos de concretização pelo qual passamos tem o significado de ancorar profundamente essas experiências em nossos corações.

Significa revisitar, mais uma vez, o tempo que, de alguma forma deixamos escapar, e gravar aquela experiência em nossas mentes. Como nos sentimos em relação à situação, como a compreendemos, o que pensamos, quais decisões tomamos e de que forma isso se manifestou em nossas ações… E, justamente por termos vivido essa experiência, revisitar o que percebemos, descobrimos, para conectar tudo isso a uma nova maneira de viver.

Ligar o passado a um novo modo de vida é, de fato, o sentido mais importante de refletir sobre o caminho já percorrido.

Olhar para trás está diretamente ligado a viver o futuro. A maneira como refletimos sobre o que aconteceu irá, com certeza, guiar um novo rumo.

Rumo a um “começo” que tudo acolhe

No final de um ano, depois de colher todos os frutos e refletir profundamente sobre a nossa jornada, o que nos espera é o início de um novo ano. 

Quando um ciclo se fecha, um novo ciclo se abre. Ao se encerrar 2025, o novo ciclo do ano de 2026 começa.

O que confiaremos a esse novo ciclo? O que desejamos?

Antes de começar a ponderar sobre uma lista disso e daquilo, reserve um momento para simplesmente sentir, com o coração, esse novo ciclo de 2026.

O que precisamos agora é deixar de lado todo tipo de limitação e imaginar com sinceridade os desejos que realmente buscamos. 

No ano que está por vir, você pode criar uma realidade que nunca se manifestou antes.

Um novo começo abrange tudo. Em meio a um cenário em que possibilidades e limitações coexistem, nós acolhemos tudo isso e damos um passo adiante, avançando rumo a um futuro que ainda não se concretizou.

Notas do editor

1. Sabedoria Precedente (Sakijie)

Sabedoria Precedente (Sakijie) refere-se ao ato de confirmar antecipadamente a própria aspiração, elaborar o Projeto Ideal e buscar o “melhor caminho” para concretizá-la. (Extraído do livro O Caminho da Oração, Oração para a Sabedoria Subsequente, p.286)

2. Sabedoria Subsequente (Atojie)

Qual foi o resultado obtido? Se, ao enfrentar a situação, a aspiração (propósito) verificada foi mantida do começo ao fim? Não descuidamos em observar minuciosamente a realidade? Tentamos, acima de tudo, mudar a nós mesmos, para depois conduzir a situação atual para a aspirada? A essência divina da Sabedoria Subsequente está em reconhecer que o estágio seguinte se inicia a partir do momento em que se pensa: “a questão foi encerrada”. Trata-se de uma abordagem pelo qual podemos aprender ainda mais justamente com aquilo que normalmente evitamos revisitar: os fracassos e as adversidades. (Extraído do livro O Caminho da Oração, Oração para a Sabedoria Subsequente, p.288-287)

3. Ciclo da Concretização (Sabedoria Precedente → Execução → Sabedoria Subsequente)

O Ciclo da Concretização refere-se ao processo pelo qual, quando buscamos concretizar algo, colocamos em movimento um fluxo contínuo de Sabedoria Precedente → Execução → Sabedoria Subsequente → Sabedoria Precedente → Execução → Sabedoria Subsequente, em que a jornada do mundo interior (espiritual) e do mundo da realidade circula. Quando buscamos a concretização de algo, repetir esse movimento cíclico é fundamental. A Sabedoria Subsequente e a Sabedoria Precedente desenvolvem-se principalmente no plano do nosso mundo interior; e passamos então a executá-los no plano da realidade. Ao agir, um resultado se manifesta, sobre o qual podemos refletir, estabelecendo assim, uma base para o próximo passo. (Extraído da revista mensal G. de Setembro de 2020, Noções Elementares do Estudo da Alma 141, p.12-13)